Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

A Distância...

Antes de mais peço desculpa aos meus poucos mas fiéis leitores por vos ter abandonado nos últimos tempos, mas efectivamente o tempo disponível e as ideias têm andado um pouco arredias da minha pessoa...
 
Hoje gostava de vos maçar, com uma questão que amiúde se me depara e sobretudo deparo em muitos dos blogs que falam e tratam de relacionamentos, que é a questão do silêncio e do diálogo num casal.
 
Tenho para mim cada vez mais presente que a concepção de que um casal que fala muito, que dialoga por tudo e por nada, não significa necessariamente que seja sempre um casal feliz.
 
É certo e estou de acordo, que o diálogo ajuda muito a cimentar a relação, sobretudo se for um diálogo sincero, que aproxime as pessoas, se for um diálogo de partilha de afectos, de emoções. Um diálogo que não deixe estagnar a paixão, coisa que como sabemos é ilusório.
 
Vem isto a propósito de amiúde na minha relação esta questão ser colocada.
Não deixo de considerar curioso que as mulheres têm por norma o facto de colocarem aos homens a questão de lhes darem espaço, de serem livres, de as deixarem por vezes sós, no seu recanto.
 
Mas se for ao contrário, isto é, se porventura for o homem que por um motivo ou outro, ás vezes até por simples falta de tempo, se afaste um pouco mais, é normalmente visto logo como algo de fora do comum e interpretado por parte das mulheres  como um sinal de fragilidade na relação.
 
No meu caso concreto nem sempre isso significa isso, aliás na maioria das vezes não significa mesmo isso.
Todos temos os nossos momentos bons e maus.
Todos gostamos de ponderar de uma forma por vezes isolada a nossa vida.
Sei bem que isso por vezes é mal interpretado pelo companheiro/a, mas tal não significa que não se confie na relação.
 
O sentimento de distância com que por vezes sou confrontado, deve-se muito em parte ao facto de se terem criado hábitos na relação e sempre que esses hábitos por um motivo ou outro deixam de existir, o facto de existir essa diferença, levanta dúvidas, suspeições. Considero isto normal nas relações. Mas não o considero muito saudável.
 
Este problema de nos parecer-mos distantes uns dos outros, tem muito a ver com o sentimento de dependência de que falei alguns blogs atrás. Tem muito a ver com o facto de quando se procura ter uma relação estável e duradoura, a dependência um do outro ser maior e como tal a lógica da proximidade quase que obrigatoriamente ter de estar presente. Quando em falo em proximidade não me estou a referir a proximidade geográfica, mas sim sentimental.
 
No meu caso concreto, também penso que muitas dessas coisas têm a ver com o momento concreto em que cada pessoa está.
 
Isto é, a forma como reagimos, como escrevemos sobre determinado assunto e nomeadamente sobre as relações tem muito a ver com a forma como nos sentimos e sobretudo como estamos a encarar a relação.
A vida prega-nos partidas e leva-nos constantemente a interrrogarmo-nos sobre que caminho devemos seguir, que trilho devemos marcar, essas dúvidas todos as temos, uns de uma forma ponderada outros sem se darem conta disso.
No meu caso concreto continuo a pensar da mesma maneira, sei que caminho não quero seguir.
Sei que encontrei algo de muito bonito.
Sei ao contrário da maior parte das pessoas, que não é preciso andarmos constantemente á procura.
Temos que perceber que ás vezes a felicidade está mesmo a nosso lado.
No meu caso não preciso de mais.Nem de menos.
É a medida exacta que me satisfaz, que me deixa feliz.
 
Talvez por isso ás vezes me sinta triste por pensar que mais dia menos dia corro o risco de a perder.
Não que as coisas até não corram bem. Não que a relação não seja uma relação pela positiva.
Mas tão somente porque a maioria dos homens que a rodeiam não pensa como eu.
O que me torna vulnerável na relação.
E sobretudo porque apesar de tudo sinto que temos noções diferentes de felicidade.
sinto-me: Com dúvidas
sentido por utopiaxxi às 01:30
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2 comentários:
De sextrip a 25 de Setembro de 2007 às 22:32
«Não deixo de considerar curioso que as mulheres têm por norma o facto de colocarem aos homens a questão de lhes darem espaço, de serem livres, de as deixarem por vezes sós, no seu recanto.

Mas se for ao contrário, isto é, se porventura for o homem que por um motivo ou outro, ás vezes até por simples falta de tempo, se afaste um pouco mais, é normalmente visto logo como algo de fora do comum e interpretado por parte das mulheres como um sinal de fragilidade na relação.»

não entendi se isto te sucede, na tua vida, ou se... é a percepção que tens numa "generalidade".

se é na "generalidade" e numa mera opinião pessoal : já não presto muita atenção (nem credibilidade) a esse tipo de considerações.
não tenho que ligar a situações em que, uma mesma questão, é muito inteligente, muito razoável, muito compreensível, etc, se for no "feminino" e exactamente o oposto se for no "masculino".
não há paciência para incoerências e tenho uma vida para viver...

as questões com o "espaço" próprio, com os momentos de "distância"... existem - mas em minha opinião têm que ter limites e estes têm de ser compreensíveis e compreendidos por ambas as partes.
ou então... não existem, nem para um para o outro.
é simples.

abraços
De sextrip a 25 de Setembro de 2007 às 22:51
«Talvez por isso ás vezes me sinta triste por pensar que mais dia menos dia corro o risco de a perder.
Não que as coisas até não corram bem. Não que a relação não seja uma relação pela positiva.
Mas tão somente porque a maioria dos homens que a rodeiam não pensa como eu.
O que me torna vulnerável na relação.»

creio que tens de te perguntar da razão de te sentires inseguro.
... porque já partes da hipótese, de risco, de a perderes ?
... se tens uma relação "pela positiva", porquê recear a "negativa" ? as relações precisam de tempo para amadurecer - não "receio".
... haverão sempre "outros homens" rodeando, não tens que pensar neles - ela tem uma palavra a dizer nisso, parece-me.

... gostava de ter um fórmula para não se sentir "vulnerabilidade" numa relação - mas não tenho, não existe !

sei sim que não devíamos temer ser vulneráveis junto de quem amamos e que, da mesma forma, devíamos sossegar quem nos ama acerca da sua própria vulnerabilidade.
porque acredito... se chegamos a invulneráveis é porque a outra parte assim nos faz (e vice-versa).
acharmo-nos (a nós próprios) invulneráveis é pura ilusão.

abraços

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