Domingo, 5 de Agosto de 2007

Observações do Quotidiano I...

Ultimamente não tenho tido muito tempo para escrever, no entanto tenho continuado a espreitar alguns dos blogs que considero mais interessantes e que de uma forma ou de outra abordam a questão dos relacionamentos. Sejam eles blogs em que o tema sexo seja o forte ou noutros em que é o amor o assunto mais em foco.
 
Não deixo no entanto de verificar que na maioria dos casos, e o meu em parte também não é excepção, apenas escrevemos sobre o negativo, isto é, é muito mais comum escrevermos sobre a traição, o ciúme, a desconfiança, do que propriamente descrever uma relação que seja estável.
 
Outra questão que me deixa curioso, é que a observação regular de muita informação, blogs, notícias, etc, cruzada com a vida real e com o meu dia a dia, me deixa cada vez mais a ideia de que efectivamente os relacionamentos hoje não são o mesmo que eram há dez ou quinze anos, eu atrevia-me mesmo a dizer que não são o mesmo que eram há um ano..Hoje tudo é muito supérfluo, fácil, para mim acho que tudo é demasiado fácil.
 
Isto em certa medida preocupa-me.
Preocupa-me porque e apesar de a tecnologia, e eu, é bom que fique claro sou um adepto da tecnologia, hoje nos por em contacto instantâneo e aparentemente podermos falar de tudo, não deixa de ser um contrasenso que é precisamente essa mesma tecnologia, que supostamente nos permitiria ter relações abertas, francas, fraternas uns com os outros, que faz com que as relações se gastem rapidamente e sejam sobretudo baseadas, a grande maioria, na falácia e na mentira.
 
Ou seja, na minha opinião, que vale o que vale, tenho a noção de que as pessoas hoje falam muito menos umas com as outras, falar no sentido dos afectos, do entendimento, do respeito.
Choca-me ver miúdas de doze, treze anos, andarem a galar homens de vinte cinco ou trinta como se já soubessem tudo da vida, elas que até há meia dúzia de dias "mijavam no penico..."
 
Choca-me ver alguns miúdos "parolos" com os seus dezassete, dezoito anos, que nem o abcedário sabem dizer...quanto mais amar uma mulher na verdadeira acepção da palavra. Se calhar sou eu que estou a ficar "cota", mas tenho receio de que com o andar da carruagem, as novas gerações e eu incluido, percamos a noção do amor na sua essência, do respeito mútuo e do quanto isso é importante na nossa vida quotidiana, quer profissional quer pessoal. O amor quer queiramos ou não, é um factor fulcral na estabilidade ou instabilidade de cada um de nós, mesmo não querendo, dessa realidade não conseguimos fugir.Reparem que digo amor, não digo sexo. O sexo nos dias de hoje compra-se como chupa chupas na loja dos trezentos...
 
Talvez por isso é que fico sempre desconfiado, quando leio nalguns sítios que o importante hoje é não nos comprometer-mos, não nos sujeitarmos, termos a nossa independência (as mulheres sobretudo utilizam muito esta expressão...qualquer dia pergunto-lhes se também vão ter hino e bandeira...). A questão é que não se pode ter as duas coisas. É bom também que fique claro, que respeito a opinião de cada um e cada um de nós é livre (isto é sempre relativo, mas enfim...) de fazer a sua opção num dado momento, isto é, optar por ter uma relação duradoura, estável, com um compromisso sério, ou por outro lado, procurar ser uma espécie de nómada que comanda o seu "circo". Tanto uma como outra são opções e para mim ambas são válidas.
 
Quem procura ter uma relação estável, duradoura, sabe que estas duas opções não são compatíveis. Não são compatíveis, porque a base da mesma assenta na confiança e no respeito mútuo, na construção de algo em comum. Isto até já pode parecer o discurso da igreja católica (é bom de esclarecer que os homens sempre se amaram ao longo dos tempos e que esta concepção de relacionamento, ao contrário de muitas teorias que por ai andam não é uma invenção judaico-cristã...), mas os sentimentos não são pertença de qualquer confissão ou doutrina, são pertença de cada um de nós, e cada um de nós tem o direito de optar por escolher o seu caminho, sem que para isso seja questionado pela sociedade( coisa dificil como sabemos...).
 
O que estou a dizer é que cada vez mais me começo a considerar numa minoria (espero que imensa) de pessoas, que continuam a ver as relações, como uma espécie de construção, em que continuamente nos vamos descobrindo uns aos outros, em que vamos aprendendo a partilhar, a viver em comum, a ceder quando é preciso. Uma minoria que considera que é possível ser-se feliz em todos os aspectos, naturalmente que os sexuais estão aqui incluídos, sem que para tal tenhamos que andar constantemente á procura. Nos dias de hoje não é fácil.
 
Não é fácil, porque a tentação e o desejo são constantes, a apelação por novas experiências, por novas vivências, assalta-nos constantemente a mente e sobretudo coloca quase sempre em causa o que temos no presente. Todos nós, sentimos isso no nosso dia-a-dia, uns de uma forma mais vísivel, outros nem tanto, mas sentimos. Negar isto é negar que o homem (entenda-se homem no sentido de humanidade) é um ser possuído de desejo e sobretudo um ser predador. Diria que hoje, é quase contra natura, quem procura ter uma relação estável, não se aventurar e não ceder ao desejo.
 
A questão para muitos pode ser uma tolice, mas mais uma vez coloco o dilema que assalta quase sempre cada um, a certeza do presente ou a incerteza do futuro? Isto é, a certeza de uma relação saudável, estável ou a incerteza de não se saber como se ficaria depois disso. Essa é que é a questão, pois mesmo nas relações em que existe essa partilha de desejos, essas aventuras mútuas, dificilmente a mesma com o tempo se manterá, pois o sentimento de culpa (esta sim um invenção judaico-cristã...) mesmo que não o transmitamos á outra pessoa, corrói-nos por dentro, já para não falar da quase sempre certeza de que essa mesmas aventuras deixam de ser meros encontros para se tornarem numa nova paixão.
 
Ao contrário do que pode parecer neste texto, não sou nada moralista, apenas estou a transmitir uma visão um pouco diferente do que costumo ler.
É que é bom que tenhamos a noção de que apesar de o discurso corrente ser, essa pseudo autonomia, essas pseudo relações abertas (que é o caso da minha, diga-se de passagem...), todos nós na prática criamos relações de dependência que o amor quando existe não esconde e acentua.Se assim não fosse, o ciúme seria apenas mais uma invenção dantesca.
sinto-me: Um anjinho...
sentido por utopiaxxi às 23:04
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6 comentários:
De Loirinha a 6 de Agosto de 2007 às 21:24
Post mais do que verdadeiro!


beijinho . *
De Innocent dreams a 13 de Agosto de 2007 às 22:03
É bom saber que ainda existem pessoas como tu!
De Sweetie25 a 14 de Agosto de 2007 às 22:01
Oh fofinho nito....AMO TE MUITO!!!! Bebé lindo!!
De A Velha Menina a 7 de Setembro de 2007 às 15:56
Pois, é pena que hoje em dia as pessoas prefiram o efémero.
Construir uma relação estável implica um investimento tão grande que pode levar ao desgaste interior. Quase à anulação.
E se as coisas acabam mal e nem sequer são boas enquanto duram, o receio de voltar a ser magoado pode desviar do nosso caminho a pessoa certa.
É contra este estado de alma que se tem de lutar.
Há-de haver por aí uma ilha.

Bjs.
http://avelhamenina.blogs.sapo.pt/3338.html
De sextrip a 24 de Setembro de 2007 às 10:58
olha, não sei se isto vai bem no contexto do que escreveste, mas... lá vai......

por aí nos blogs leio tanta coisa acerca do amor, tantas noções, tantas opiniões de como deve ser, tantas "condições" para ele acontecer, etc.
ultimamente lêem-se tantos artigos acerca dos perigos para o amor, designadamente a infidelidade, a traição (é da época do ano, acho - acabou o verão)...
até mesmo no meu blog, que é só sobre sexo, sinto que há uma vontade de saber se amo, quase um desejo de que me apaixone e etc...

bom... então é no teu blog que desabafo que.... não estou em condições de amar ninguém.

amei - e amei descomprometidamente, com tudo o que era o meu ser - não tenho dúvida nenhuma que amei bem, que não podia amar melhor.....
nada disso impediu que acontecesse o que aconteceu, mas já não importa (que não tenho paciência nem para me queixar, nem para ler descréditos de quem pouco sabe da vida).

apenas que,
o que me aconteceu não me fez desacreditar no amor - continuo a acreditar no sentimento e que não nos é possível viver sem ele.
acredito aliás que, mesmo os cépticos o procuram e dele são carentes - que a sua frieza é fachada.

mas numa coisa acho teres razão : discute-se, pretende-se, procura-se o amor de formas erradas, ou demasiadamente superficiais, ou com demasiadas condições - deseja-se o amor mas há como que uma desconfiança em relação a ele e pretende-se "esquematizá-lo" - não concebo isso !

portanto - num misto de receio que me volte a acontecer o que aconteceu e de desencanto pela forma como se trata o amor hoje em dia... não estou em condições de amar ninguém.

1 - não vou cobrar a ninguém o que outra pessoa me fez - não desejo isso.
porém, não sei serei capaz de evitar incorrer nesse erro - logo, não tenho condições para amar.

2 - juraria que a mulher que amei era a melhor pessoa do mundo - não era, não foi ! como encontrarei outra mulher ainda melhor que o que ela era ?!? não sei.
quem sou eu para implicar essa "responsabilidade" noutra pessoa ?
não posso querer isso.

3 - anda toda a gente muito preocupadinha em ser o melhor homem ou a melhor mulher do mundo, o ser mais completo, o/a deus/a no olimpo - ninguém aceita um lugar ao defeito, ao erro e por oposição à cedência, à aceitação.
isto é uma bola de neve, que faz com que um lado entre em competição com o outro, em que uma exigência faz apenas despoletar uma outra do outro lado.
mesmo eu sinto isto.
sei que não é correcto, mas acaba-se por fazer isto.
não é boa condição para surgir um amor.

4 - mais pessoal : olho para a esmagadora maioria dos relacionamentos actuais, para o desentendimento crescente entre os sexos (mulheres com manias de supremacia e homens a reabilitarem velhos machismos que já estavam moribundos) e não fico muito esperançado numa melhoria nas relações humanas.
exagero ?!? talvez.... mas é o que sinto.

5 - a própria vida em sociedade.
de dia para dia é-nos exigido que demos, demos, DEMOS.... tudo nos exige tempo, disponibilidade, "responsabilidade" - as profissões exigem tudo e mais alguma coisa, a carne e os ossos.
somos joguetes de uma sociedade que cada vez nos exige mais tempo para ela e nos deixa 3 ou 4 horas para nós (com sorte).
isso não é NADA, para quem quer amar, construir uma família, ter filhos, prestar atenção a pais, avós, diverti-se, descontrair, descansar.....
é extremamente cansativa e destrutiva esta sociedade !

encontrei um equilíbrio na minha vida - frágil mas, ainda assim um equilíbrio.
não vivo obcecado em "descobrir um amor", ainda que amar uma mulher tenha sido um sentimento muito forte na minha vida.

desculpa se o meu desabafo não estará completamente contextuado com o teu artigo mas olha... lol, apeteceu-me !

um abraço
De utopiaxxi a 25 de Setembro de 2007 às 00:56
Antes de mais as minhas desculpas por ultimamente nao ter tido tempo para ir actualizando o blog. Depois, acho que em muitas coisas temos uma visão comum do problema...Parece-me teres uma visão mais realista (para não utilizar a expressão madura) do amor e das relações. E sobretudo uma visão ponderada.

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